Sejam bem-vindos, investidores desportivos!

Ao longo de um conjunto de artigos, propomo-nos a partilhar histórias, episódios, mas sobretudo, conhecimentos, práticos e teóricos, que adquirimos em todo o nosso percurso pela indústria das apostas desportivas. São vários os temas que nos propomos abordar, de forma honesta e sincera, concretizando e detalhando de modo simples, para que todos compreendam, desde aqueles que já hoje apostam regularmente, até aos que estão a dar os primeiros passos. E sempre, mas sempre com uma abordagem humilde e sem criar ilusões ou falsas expectativas.

Mais à frente, abordaremos em detalhe o tema, mas sim, as apostas desportivas podem ser rentáveis, podem ser a principal fonte de receita de um investidor, desde que se cumpram algumas regras. E da mesma forma que podem ser a receita para o sucesso de alguns, também pode ser a causa para o desastre de outros – como tudo na vida! Mas, estes e outros temas, serão abordados em detalhe, num conjunto de artigos sérios, que publicaremos nas próximas semanas.

Da sua parte, querido leitor, contamos com o interesse e compreensão, mas também com o espírito critico para observar e comentar, construtivamente, cada um dos artigos.

A Origem das Apostas:

Existem registos históricos que demonstram que os jogos de azar são um passatempo antigo e provas arqueológicas demonstram que as origens das apostas podem estar a prática do jogo do osso, há 40000 anos. Estima-se que o jogo de dados tenha surgido na Índia e na Mesopotâmia por volta de 3000 AC, acabando por se espalhar pelos mundos grego, romano e mais tarde, cristão. Remontam assim, aos maiores impérios da antiguidade, as origens das apostas.

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Vale a pena recordar que antigamente se apostava para prever o futuro, decidir disputas e até mesmo dividir heranças. Veja-se por exemplo o sucedido em 100 DC no continente europeu, onde a disputa pelo distrito de Hising foi resolvida através do lançamento de dados, tendo o Rei Olaf da Suécia batido o seu homólogo da Noruega, também ele Rei Olaf, ao obter duas vezes consecutivas a face com o 6.

Hoje em dia, fazemos seguros para a nossa casa e para o nosso automóvel e se pensarmos bem, estes seguros mais não são do que apostas. Se não vejamos, nós pagamos a apólice e apostamos que o nosso carro vai ser furtado ou sofrer um acidente. Felizmente, esta é uma aposta que a maioria de nós perde e perde com agrado, mas se tivermos um acidente com o nosso carro o que sucede? A seguradora indemniza-nos, ou seja, paga a nossa aposta.

Podemos considerar os seguros, como fazendo parte das origens das apostas, tendo surgido há cerca de 5 mil anos entre os comerciantes marítimos da Mesopotâmia e da Fenícia, sendo adoptados mais tarde pelos romanos e pelos gregos e no fundo, todos tentavam proteger a carga que transportavam nos seus navios.

Os gregos, porém, foram mais longe ao adaptar as apostas aos eventos desportivos. É sabido que a Grécia é o berço dos Jogos Olímpicos e há milhares de anos, os participantes nas diversas disciplinas olímpicas que se destacavam, vencendo, eram agraciados com um prémio monetário. Todavia, era nas bancadas destes eventos desportivos que o dinheiro se produzia e multiplicava com apostadores a apostarem, inclusive, estados inteiros.

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Na Roma antiga, as apostas superavam as que eram praticadas na Grécia, com apostadores a apostar não só bens materiais, como também a sua própria liberdade. Ao filósofo romano Plínio (o Velho) é atribuída a seguinte frase: “Estamos tão à mercê da sorte que a Sorte é o nosso Deus”. Como podemos ver, as origens das apostas não diferem assim tanto da realidade, que hoje conhecemos.

As Apostas e a Teoria das Probabilidades:

Os anos foram passando e é na Renascença que se estuda verdadeiramente e de forma científica o risco, originando Teoria das Probabilidades que é a base da gestão de riscos moderna que é hoje utilizada pelas casas de apostas e pelos apostadores profissionais. A época renascentista é marcante sob diversos pontos de vista, desde logo a agitação religiosa, com a contestação científica que valeu a perseguição de algumas das mentes mais brilhantes de sempre pela igreja católica, mas também as inovações que surgiram, fruto precisamente do estudo científico.

Ao longo dos anos a teoria das probabilidades foi evoluindo até deixar de ser um capricho de um apostador para passar a ser uma ferramenta essencial para diversas actividades desenvolvidas nos nossos dias, desde as sondagens até à escolha de títulos de investimento.

As Apostas e o Risco:

O risco está associado ao acto de apostar desde as origens das apostas, mas afinal o que é risco? De acordo com a definição de alguns dicionários, o risco é a possibilidade de algo mau ou desagradável acontecer. Para o multimilionário norte-americano Warren Buffet (que é alguém que percebe muito deste assunto) “o risco resulta de não sabermos o que estamos a fazer”.

Etimologicamente, o risco deriva da palavra italiana “rischiare” que significa “desafiar”. O risco está implícito em todas as decisões da nossa vida, até nas mais simples e é maior ou menor, consoante o nosso grau de conhecimento e domínio que antecede à tomada de decisão. Veja o seguinte exemplo: poucos são aqueles que não gostam de uma fatia de pão torrado, mas para chegarmos ao produto final é necessário fatiar o pão, com um objecto cortante também conhecido como faca. O manuseio de uma faca pode ser tão mais perigoso quanto menor a experiência no seu manuseio. Quando o leitor decide empunhar a faca para fatiar o pão está a assumir o risco de poder cortar-se, mas não o fará porque é experiente e avisado. A fatia de pão segue então para a torradeira, um pequeno electrodoméstico capaz de aquecer tanto que doura e torra a nossa fatia de pão, mas não só, na(s) nossa(s) mão(s) também e nós assumimos esse risco ao ligar a torradeira. Mais uma vez, é a nossa experiência e conhecimento do mecanismo que leva à minimização do risco, mas acredite querido leitor, de vez em quando ainda me queimo ao tirar a torrada da torradeira.

As Apostas Online:

Com o passar do tempo e com a evolução desde as origens das apostas foram surgindo estabelecimentos especializados em disponibilizar às pessoas a possibilidade de apostar em tudo o que elas desejavam. Surgiam assim, as casas de apostas.

Tornaram-se tão populares que acabaram por se multiplicar em diversas localidades de diversos países, porém, por não serem uma realidade à escala global, alguns passaram a ser privilegiados nesta matéria.

O nascimento da internet permitiu as origens das apostas online e sobretudo, a sua disseminação.

É na década de 90 do século passado que surgem os primeiros sites de apostas online, datando de 1994 as primeiras licenças para casinos online em Antígua e Barbuda, nas Caraíbas.

A evolução da tecnologia galopou até à realidade dos nossos dias e com ela, também o advento das apostas online. Nos anos 80 do século XX era frequente existirem centros de apostas online que recebiam os pedidos dos seus clientes via telefone. Estes operadores foram aqueles que mais facilmente migraram para as plataformas web, semelhantes às que hoje conhecemos, mais tarde, nos anos 90, granjeando de grande sucesso devido à experiência obtida.

Com o crescimento desta indústria vieram também os excessos e com eles a necessidade de se legislar. O pioneiro nesta matéria parece ter sido o Canadá, que em 1996 fundou uma comissão com o objectivo de regular a actividade e o sector no país. Entretanto, e com o passar dos anos, outros se seguiram, entre eles, Portugal, mas sobre a legalização das apostas no nosso país escreveremos noutra ocasião.

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